Y es que las dos hemos cambiado el color de nuestros pelos, como quien intenta cambiar de piel para olvidar todo lo que se ha hecho. Pero, es que lo que está hecho, hecho está, no se puede cambiar. Y aun que el color de pelo sugiera un intento de cambio, sólo se trata de una ilusión. La raíz de los problemas y la raíz del pelo seguirán siendo las mismas. Que cambies el color, que te vistas de otra piel, que gires los rincones, grites, cantes, actúes, exorcices, espantes, el pelo, el hecho y el recuerdo siguen estando, permaneciendo, como una cicatriz en el cuello. Como quien intento cortarse la yugular y por mala suerte, lo hizo mal, no ha conseguido lograr o no ha logrado conseguir.
Y entonces sigo viva por un golpe de la vida. Y es que ya no hay más billetes ocultos pegados a un libro o dentro del ordenador; ya no hay pintalabios en el espejo; whisky barato e inciensos; velas para el amor. Ya no hay más frío que junte los cuerpos o calor que quite las ropas; caquis como motivo de sonrisas, la compra de mochilas parecidas, ya no hay quien nos llame hermanas; baile en el silencio; tarareo inventado; no hay vuelo sin billete de embarque, a cualquier hora del día y gratis; buenas noches o vete a la mierda; calcetines iguales; infusiones durante todo el día; cagadas descaradas; eructos rebeldes; y "marry me, eres mi alegría".
Nuestros hijos no nacieron, nuestros invitados no llegaron a ir disfrazados a nuestra boda el "31 de octubre de cualquier día del año", no te acompañe a la alfombra roja de Cannes o de los Oscars, no me acompañaste a la alfombra roja de los Grammy´s, ni siquiera tuvimos un perro. No hay más pancakes o feijoada acompañada en una mañana o tarde de domingo; no hay más calabacines, sólo quedan las calabazas. No hubo gira y sin embargo, el mundo sigue girando, y la canción eternamente incompleta, y es que su contenido era también su objeto. El yo lírico eras tu.
Las plantas están muertas, los retratos se borraran con el tiempo y el dibujo del desnudo nunca llego a hacerse. Quizás porque hayamos visto aquella película hasta el final. Mi ansiedad te obligó a despertar y la Habitación en Roma se vio por entera. ¿O no? Ahora me acuerdo de que todavía queda su "making off".
Y es que vendrán nuevas historias, nuevos cuerpos y volveremos a cambiar no sé cuantas veces más el color del pelo. Llegaremos a los 70 años de edad o quizás no pasemos de los 27,
pero es que solo se llega a volar sin billete de embarque una vez y el vuelo no permite más de un acompañante. Era un vuelo especial, clase E(spiritual). El Universo ahora se hace demasiado pequeño y es que hará falta descubrir otra galaxia.
Que nos pongan una denuncia y que nos condenen a la vida o a la libertad perpetua. Se ha cometido un crimen. El más grave de todos. Hemos abortado el amor.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
terça-feira, 26 de julho de 2011
Pandora
Certo dia, no metro em Paris, diante de mim e de uma grande amiga sentou-se uma senhora com aparencia de bruxa. Cabelos longos brancos, unhas compridas e pintadas, vestia roxo e nos olhava. Nada mais entrar no vagao, antes mesmo de perceber aquela mulher, senti o cheiro de flores, eram lírios. Questionei minha amiga se era coisa da minha cabeça ou se ela também estava sentindo. Disse que sim. Instataneamente, meu corpo respondeu. Arrepios chegaram de forma quase compulsiva. Mas, nao so em mim. na minha amiga também. Nos demos conta, entao, de que era minha avó que estava ali, minha falecida avó. Só ela em vida e em morte emanava aquele cheirinho particular. Nao sei porque, a intuicao que tivemos era de que estava materializada através daquela mulher. Seria ela mesma ou uma mensagem que chegaria através daquele corpo?
A senhora com aspecto de sabedoria e de magia me olhou profudamente como quem assente o que há e discretamente sorriu; eram os olhos da minha avó. Abracei a minha amiga com força e comecei a chorar. Nesse momento, fui tomada pelo medo da proximidade com o metafísico, mas também por um amor profundo. Desejava beijar e falar com aquela mulher. Tarde demais. Nesses poucos e longos segundos de desorientacao, o metro parou na seguinte estaçao, e nao sabemos como, mas a mulher que estava sentada diante de nós, entre um abrir e fechar de olhos desapareceu.
Desde entao me questiono o que teria dito e perguntado à minha avó depois de dois anos inteiros afastadas. As vezes, o obvio parece fácil, mas quando se transborda amor e saudade as palavras parecem desaparecer. Hoje, dois anos depois do ocorrido saberia o que dizer ou pelo menos por onde começar. Mas, é aquela velha historia: a flecha lançada, a palavra dita ou nao dita e a oportunidade perdida nao voltam jamais.
É aqui entao, que começa essa história. A minha e de muitos. Histórias e sentimentos que nunca chegaram aos seus devidos destinatarios. Mensagens que silenciaram pelas circuntancias, pelo medo, pelo proprio acaso ou por opçao.
Dizem que todo mundo quer amor de verdade, mas verdade mesmo é que todo mundo tem algo a dizer, inclusive sobre isso.
A senhora com aspecto de sabedoria e de magia me olhou profudamente como quem assente o que há e discretamente sorriu; eram os olhos da minha avó. Abracei a minha amiga com força e comecei a chorar. Nesse momento, fui tomada pelo medo da proximidade com o metafísico, mas também por um amor profundo. Desejava beijar e falar com aquela mulher. Tarde demais. Nesses poucos e longos segundos de desorientacao, o metro parou na seguinte estaçao, e nao sabemos como, mas a mulher que estava sentada diante de nós, entre um abrir e fechar de olhos desapareceu.
Desde entao me questiono o que teria dito e perguntado à minha avó depois de dois anos inteiros afastadas. As vezes, o obvio parece fácil, mas quando se transborda amor e saudade as palavras parecem desaparecer. Hoje, dois anos depois do ocorrido saberia o que dizer ou pelo menos por onde começar. Mas, é aquela velha historia: a flecha lançada, a palavra dita ou nao dita e a oportunidade perdida nao voltam jamais.
É aqui entao, que começa essa história. A minha e de muitos. Histórias e sentimentos que nunca chegaram aos seus devidos destinatarios. Mensagens que silenciaram pelas circuntancias, pelo medo, pelo proprio acaso ou por opçao.
Dizem que todo mundo quer amor de verdade, mas verdade mesmo é que todo mundo tem algo a dizer, inclusive sobre isso.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Pão e processos
A sensação é de viver num processo de incubação. Carrego doenças e milagres dentro de mim, mas todos seguem iminentes, e, parecem tardar na sua manifestação.
E assim, levo um mundo dentro; pensamentos; palavras; palcos; gritos almados; cidades; prantos; gargalhadas; gozos; cantos; mortes vivas e mortes mortas – nada processado, tudo em processo, tudo por acontecer, com desfecho ou continuação ou não. Mas, nada acontece.
É a garganta por inflamar que nao inflama, mas cuja sensação se perpetua ou mesmo a memória dessa, quando em algum momento foi, e já nao é; tampouco parece vir a ser.
E aí, as linhas não existem, as páginas ficam em branco, o violão não soa e a vida se reduz a paredes verdes com o teto povoado por aves que parecem voar, porém assim como eu, estão estáticas. Talvez, quem veja ou observe de fora, ache o teto lindo e as aves livres; talvez elas realmente estejam livres, no entanto, cheias de condenas.
Foi em meio a essas divagações solitárias que ela resolveu descer ao supermercado para tentar encontrar algo que preenchese a ausência presente, que a alimentasse. Não se pode comer a recordação ou o sonho, embora a sua digestão seja questionável. Sem embargo, pode-se consumir a matéria que evoca a lembrança; mais que isso, pode-se exaltar os sentidos e a partir deles fazer com que a ausência presente deixe de ser o que é e então, se transforme num presente do presente.
Era o aniversário de quem amava. Comprou pão orgânico da marca Bio, o tipo de pão que ela nunca gostou, mas que seu amor amava e a fazia experimentar. Provou uma vez e seguiu experimentando muitas outras, e em todas elas, o sabor lhe parecia estranho. O gosto era de encantamento pelo outro, com algo que o paladar reconhecia como terra.
Subiu à casa, disposta a fazer um sandwich como ele outrora fazia. Pensou, inclusive, em preparar um café e tomá-lo, algo que jamais ousou nada vida. Ela odiava café. Mas, era o aniversário dele, e diante da incomunicabilidade com outro, da ruptura e da exclusão total de sua vida, essa seria unica forma de celebrar a data especial sentindo-se ao seu lado; evocando a presença pelo cheiro e pelo sabor.
Comeu o sandwich em câmera lenta. A cada mordida um beijo, um olhar terno, brigas e reconciliaçoes. Devorado o momento,ela seguia achando o sabor estranho, e entao pensou que há coisas na vida que nunca mudam: nem o amor enquanto essência, nem o sabor que o pão produzia nela.
Talvez, tudo tivesse que ser sempre assim. Estranho e amado. Mas, então, não tomou o café. O amor roga concessões, mas, algum ponto da sua identidade deveria permanecer imaculado, ou quem sabe, a necessidade de evocação do outro pelo café, de momento, ficasse na iminência e em processo de incubação como todas as outras coisas da sua vida.
Chorou, riu, fumou um cigarro e sentiu a necessidade de escrever.
Sentido? Pra quê?
Por hora, as páginas continuam em branco e as aves seguem livres e estáticas no teto.
E assim, levo um mundo dentro; pensamentos; palavras; palcos; gritos almados; cidades; prantos; gargalhadas; gozos; cantos; mortes vivas e mortes mortas – nada processado, tudo em processo, tudo por acontecer, com desfecho ou continuação ou não. Mas, nada acontece.
É a garganta por inflamar que nao inflama, mas cuja sensação se perpetua ou mesmo a memória dessa, quando em algum momento foi, e já nao é; tampouco parece vir a ser.
E aí, as linhas não existem, as páginas ficam em branco, o violão não soa e a vida se reduz a paredes verdes com o teto povoado por aves que parecem voar, porém assim como eu, estão estáticas. Talvez, quem veja ou observe de fora, ache o teto lindo e as aves livres; talvez elas realmente estejam livres, no entanto, cheias de condenas.
Foi em meio a essas divagações solitárias que ela resolveu descer ao supermercado para tentar encontrar algo que preenchese a ausência presente, que a alimentasse. Não se pode comer a recordação ou o sonho, embora a sua digestão seja questionável. Sem embargo, pode-se consumir a matéria que evoca a lembrança; mais que isso, pode-se exaltar os sentidos e a partir deles fazer com que a ausência presente deixe de ser o que é e então, se transforme num presente do presente.
Era o aniversário de quem amava. Comprou pão orgânico da marca Bio, o tipo de pão que ela nunca gostou, mas que seu amor amava e a fazia experimentar. Provou uma vez e seguiu experimentando muitas outras, e em todas elas, o sabor lhe parecia estranho. O gosto era de encantamento pelo outro, com algo que o paladar reconhecia como terra.
Subiu à casa, disposta a fazer um sandwich como ele outrora fazia. Pensou, inclusive, em preparar um café e tomá-lo, algo que jamais ousou nada vida. Ela odiava café. Mas, era o aniversário dele, e diante da incomunicabilidade com outro, da ruptura e da exclusão total de sua vida, essa seria unica forma de celebrar a data especial sentindo-se ao seu lado; evocando a presença pelo cheiro e pelo sabor.
Comeu o sandwich em câmera lenta. A cada mordida um beijo, um olhar terno, brigas e reconciliaçoes. Devorado o momento,ela seguia achando o sabor estranho, e entao pensou que há coisas na vida que nunca mudam: nem o amor enquanto essência, nem o sabor que o pão produzia nela.
Talvez, tudo tivesse que ser sempre assim. Estranho e amado. Mas, então, não tomou o café. O amor roga concessões, mas, algum ponto da sua identidade deveria permanecer imaculado, ou quem sabe, a necessidade de evocação do outro pelo café, de momento, ficasse na iminência e em processo de incubação como todas as outras coisas da sua vida.
Chorou, riu, fumou um cigarro e sentiu a necessidade de escrever.
Sentido? Pra quê?
Por hora, as páginas continuam em branco e as aves seguem livres e estáticas no teto.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Horizonte
Sentou-se junto às rocas do mar aberto. Por alguns minutos sentiu-se feliz: foi capaz de ver o horizonte. Este, entretanto, não a conduziu a uma perspectiva futura. O contrário em absoluto. No seu mundo o perder de vista do horizonte se revelava retrospecto. Um retorno ou um avanço à origem. Nada de imensidão, devires ou novos lugares. O que via, desde as rocas, levou-lhe pra um lugar só seu. O imutável, o já realizado, a alegria conquistada, a tristeza superada, o primeiro passo dado, a primeira queda de bicicleta, o amor feito e gozado, o término e a reconciliação (consigo mesma, com o outro ou com ambos). Nesse lugar, tudo é pleno. O devir segue sendo devir, embora cristalizado, porque em algum momento assim o foi. Sorriu. Sentiu o frio cortante, mas não deixou de celebrar a presença do sol, ainda que tímida comparada à força do vento. Deu-se conta de que, às vezes, é preciso caminhar pra trás; mais que isso, pra dentro. O presente embora um presente se consome, se desfaz. O futuro não existe. É um segundo depois de agora que deixou de ser. Concluiu, então, que o passado tampouco é passado; que o passado é o horizonte e a vida um eterno recordar do viver.
sábado, 23 de abril de 2011
Impressoes
Eu me vejo como esse quadro na parede de uma casa outrora povoada, agora inhabitada. O garoto, em posiçao de cócoras sujeita a cabeça (ou mais bem tapa os ouvidos?) e diante do outro revela um tronco descontínuo, cortado por uma faixa de tinta amarronzada. Estará ele realmente em descontinuidade ou seu corpo assim se revela apenas diante do outro?
Até que ponto as impressoes que carregamos do mundo ou dos nossos ¿semalhantes? sao produto de uma lógica de alteridade ou complexo reflexo de construçoes socio-historicas distorcidas?
Até que ponto as impressoes que temos de nós mesmos sao resultado desse ou daquele?
Recaimos num transitar quase esquizofrênico entre esses dois extremos. Dificil colocar-se no lugar do outro sem penetrar na sua subjetividade, por mais que se penetre na sua cultura. Sim, porque a cultura é integrante de hábitos e quizás de personalidade, mas a subjetividade é um poço sem fundo.
Eu nao sei porque o menino contínuo ou descontínuo segura a cabeça ou tapa os ouvidos. Apenas sei -ou acho que sei- que em meio a tantos ruídos, e mesmo diante da enorme audiência que já transitou por essa casa -agora inahbitada -, ele está só. Mesmo diante de mim, mesmo diante de outros, ele permanece só. Só também estou eu; nem eu e nem ele chegaremos a saber o motivo de nossas solidoes ou mais bem vazios acompanhados?
Ou talvez tudo isso seja apenas mais uma impressao falsa de mim para o outro e vice-versa. Talvez o menino nao me veja como uma solitaria (embora assim me sinta), talvez ele nao seja solidao. Sao tantas as possibilidades. A mim e ao outro cabe nao julgar, nao projetar, nos corresponde apenas uma reflexao circular e interessada; mútua. Falo de espelhos externos e interiores. Espelho de teto de motel; espelhos que desdobram e multiplicam imagens; retrovisor; de maquiagem; aquele de armário usado só por você, e também aquele espelho de dentro - da câmera fotográfica. Sao multiplas as metáforas.
Por hora, a tela do computador me reflete, eu reflito o menino, e muito provavelmente adotarei a mesma atitude aparente que ele: há ruido na rua, há ruido nessa casa inhabitada; tapo os ouvidos e me escuto na reflexao de mim para mim e de mim para o outro. Continua ou descontinua? Acho que as duas coisas. Sempre.
Até que ponto as impressoes que carregamos do mundo ou dos nossos ¿semalhantes? sao produto de uma lógica de alteridade ou complexo reflexo de construçoes socio-historicas distorcidas?
Até que ponto as impressoes que temos de nós mesmos sao resultado desse ou daquele?
Recaimos num transitar quase esquizofrênico entre esses dois extremos. Dificil colocar-se no lugar do outro sem penetrar na sua subjetividade, por mais que se penetre na sua cultura. Sim, porque a cultura é integrante de hábitos e quizás de personalidade, mas a subjetividade é um poço sem fundo.
Eu nao sei porque o menino contínuo ou descontínuo segura a cabeça ou tapa os ouvidos. Apenas sei -ou acho que sei- que em meio a tantos ruídos, e mesmo diante da enorme audiência que já transitou por essa casa -agora inahbitada -, ele está só. Mesmo diante de mim, mesmo diante de outros, ele permanece só. Só também estou eu; nem eu e nem ele chegaremos a saber o motivo de nossas solidoes ou mais bem vazios acompanhados?
Ou talvez tudo isso seja apenas mais uma impressao falsa de mim para o outro e vice-versa. Talvez o menino nao me veja como uma solitaria (embora assim me sinta), talvez ele nao seja solidao. Sao tantas as possibilidades. A mim e ao outro cabe nao julgar, nao projetar, nos corresponde apenas uma reflexao circular e interessada; mútua. Falo de espelhos externos e interiores. Espelho de teto de motel; espelhos que desdobram e multiplicam imagens; retrovisor; de maquiagem; aquele de armário usado só por você, e também aquele espelho de dentro - da câmera fotográfica. Sao multiplas as metáforas.
Por hora, a tela do computador me reflete, eu reflito o menino, e muito provavelmente adotarei a mesma atitude aparente que ele: há ruido na rua, há ruido nessa casa inhabitada; tapo os ouvidos e me escuto na reflexao de mim para mim e de mim para o outro. Continua ou descontinua? Acho que as duas coisas. Sempre.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
ele cheirava para sentir-se próximo da morte; para que quando, então, seu coração disparasse profundamente, sentisse medo de morrer. assim, finalmente se perceberia inteiramente vivo e apegado a essa porção inexplicável e instintiva de manter o pulso pulsando, ainda que a vontade de partir o acompanhasse sempre.
pela primeira vez escreveu de cara à luz, tamanho era seu desejo de morte. já não necessitava a escuridão pusilânime, morreria às claras, ainda que depois regressasse ao opaco.
pela primeira vez, escreveu sem se preocupar com a grafia ou mesmo com a pontuação. as palavras correspondiam aos seus impulsos mais primitivos, a um suspiro ininterrupto. talvez, seu último suspiro. o mais libertador.
do pó para o pó. o regresso às origens. sentiria o amor da terra ou até mesmo experimentaria o calor do inferno. fora onde fosse, finalmente não estaria só.
pudera que a eternidade do elemento fogo lhe acompanhara, pudera que a eternidade do elemento ar fizera o mesmo. a ele não lhe importava. o importante era sentir-se vivo, ardendo em chamas ou flutuando e embreagando-se de ar.
de uma forma ou de outra finalmente seria etéreo e jamais desejaria morrer, tampouco renascer. ele simplesmente seria chama, pó ou ar.
pela primeira vez escreveu de cara à luz, tamanho era seu desejo de morte. já não necessitava a escuridão pusilânime, morreria às claras, ainda que depois regressasse ao opaco.
pela primeira vez, escreveu sem se preocupar com a grafia ou mesmo com a pontuação. as palavras correspondiam aos seus impulsos mais primitivos, a um suspiro ininterrupto. talvez, seu último suspiro. o mais libertador.
do pó para o pó. o regresso às origens. sentiria o amor da terra ou até mesmo experimentaria o calor do inferno. fora onde fosse, finalmente não estaria só.
pudera que a eternidade do elemento fogo lhe acompanhara, pudera que a eternidade do elemento ar fizera o mesmo. a ele não lhe importava. o importante era sentir-se vivo, ardendo em chamas ou flutuando e embreagando-se de ar.
de uma forma ou de outra finalmente seria etéreo e jamais desejaria morrer, tampouco renascer. ele simplesmente seria chama, pó ou ar.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
a sopa
04:35 da madrugada. comendo clarice, sua G.H, a barata e um prato de sopa não devidamente calentado no microondas. a sopa está fria, tal qual a barata e seus pedaços. oh! acabo de dar uma colherada e descubro que no centro está morno. minha tia avó dizia "vá comendo pelas beiradas"; ela já sabia que o fervor reside no núcleo.
minha vida anda gerundiando e transitando entre o frio e o morno. quero a quentura, mas não a do microondas. nele, sempre me equivoco na temperatura ideal. pensando bem, acho que na vida também.
a sopa de verduras (ou será de verdades?) acabou. o prato agora está vazio. eu também.
minha vida anda gerundiando e transitando entre o frio e o morno. quero a quentura, mas não a do microondas. nele, sempre me equivoco na temperatura ideal. pensando bem, acho que na vida também.
a sopa de verduras (ou será de verdades?) acabou. o prato agora está vazio. eu também.
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